Estudo do impacto da formação do reservatório da Usina Hidroelétrica Engenheiro Sérgio Motta (Porto Primavera) sobre os grandes felinos, SP/MS

Responsáveis: Peter G. Crawshaw Jr., Dênis Aléssio Sana, Ronaldo Gonçalves Morato, Eduardo Eizirik, Rose Lilian Gasparini Morato

Parceiros deste projetos: CESP

Apesar do grande impacto ambiental causado por uma usina, pouco tem se estudado deste impacto sobre a fauna, principalmente de carnívoros, sendo este o primeiro estudo envolvendo grandes felinos, prioritariamente onça-pintada (Panthera onca), espécie ameaçada de extinção e em baixa densidade na região.

O projeto faz parte dos compromissos do empreendedor, a CESP – Companhia Energética de São Paulo, para o licenciamento ambiental da usina, e foi concebido em conjunto com a Pró-Carnívoros para ser desenvolvido em uma das últimas áreas preservadas das várzeas do Rio Paraná, dentro dos domínios da Mata Atlântica, na divisa dos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Até o momento foram capturados dez indivíduos de onça-pintada e uma onça-parda (Puma concolor). Para a avaliação do impacto do enchimento, seis foram aparelhados com rádio colares e soltos no mesmo local. Ainda dentro dos objetivos do projeto, três onças-pintadas foram destinadas a zoológicos, para preservação de material genético in vivo e uma foi aparelhada e solta em outra área similar preservada, como experimento de translocação. Também o filhote de uma das fêmeas aparelhadas tem sido acompanhado. Dos animais capturados foi colhido sangue para análises genéticas e dos machos foi colhido sêmen para preservação de material genético in vitro.

O monitoramento das populações de onças está sendo feito pelo biólogo Dênis Sana, pesquisador da Pró-Carnívoros e tem gerado várias informações a respeito destes animais, não só em relação ao efeito do enchimento, mas importantes dados de biologia e ecologia destas espécies.

Finalizando os dois anos previstos no projeto em maio de 2000, está sendo avaliada a continuidade do estudo, com o objetivo de analisar o efeito da última etapa do enchimento, chegando na cota máxima do reservatório, que ocorrerá durante este ano, afetando áreas ainda preservadas e ocupadas pelas onças monitoradas.