Impacto das Atividades Antrópicas sobre a Diversidade de Mamíferos no Cerrado
Veja também um sub-projeto ligado a este.
Responsável: Rogério Cunha de Paula
Parceiros deste projeto:
Porque o projeto é importante
A crescente exploração econômica do Cerrado adjunto à falta de leis efetivas
de proteção, têm contribuído seriamente para a destruição deste ecossistema.
A perda e fragmentação de habitats, são os principais efeitos provenientes das
atividades humanas realizadas nestes ambientes, alterando a densidade populacional
e reduzindo a biodiversidade. Devido a isso, pretende-se com este projeto avaliar
os impactos das atividades antrópicas nas populações de mamíferos de médio e
grande porte neste ecossistema.
O Parque Nacional da Serra da Canastra, Minas Gerais, local de alta biodiversidade e equivalente pressão antrópica nas áreas adjacentes, é o local que sedia o projeto. A fauna de mamíferos do parque é representativa quanto à biodiversidade e importância ecológica; espécies como tamanduá-bandeira, tatu-canastra, anta, veado-campeiro, entre outras. Com relação aos carnívoros, 15 das 18 espécies ocorrentes no Cerrado, enriquecem a fauna local. Dentre estas, espécies importantes, como o lobo-guará e gato-palheiro. O desenvolvimento econômico na região, como em todo ecossistema, tem pressionado as espécies. A adaptação destas espécies às diversas atividades humanas será avaliada para que seja determinado o impacto e seu grau às diferentes espécies.
Os dados obtidos serão utilizados na sugestão de planos de ação emergenciais de proteção do Cerrado, e conservação da diversidade da mastofauna, a um nível regional e nacional. A área vem sendo estudada desde 1999. A primeira fase do projeto se constituiu de um levantamento da mastofauna de médio e grande porte local e entrevistas referentes as atividades econômicas e envolvimento da população com a fauna. A segunda fase se iniciou em janeiro de 2001.
Resultados
A pesquisa que se extendeu durante todo o ano de 2002, se baseou na análise
do status de mamíferos de médio e grande porte dentro do Parque e na região
do entorno para: (1) a verificação da influência das atividades humanas na diversidade
de mamíferos no cerrado; (2) a identificação de espécies vulneráveis e adaptadas
à estas atividades; e (3) a observação e análise da preferência de habitat para
as espécies amostradas. Assim, dentro deste período, este estudo avaliou o impacto
de três categorias de distúrbios antrópicos, na Unidade de Conservação e em
seu entorno: atividades agropecuárias, atividades turísticas e o tráfego de
veículos. A avaliação se deu através da comparação de indícios indiretos da
presença de mamíferos, amostrados em transectos percorridos em áreas isoladas,
dentro do parque, e alteradas -dentro e fora da unidade-.
Sobretudo, o que pode ser observado para as áreas impactadas por atividades agropecuárias, turísticas e por áreas de influências das estradas, é o que se esperava: uma evidente diferença na diversidade de espécies. A única exceção pode ser notificada nas áreas de mata de galeria mesmo as localizadas em meio a fazendas, e que dependendo de seu tamanho/largura detém um número de espécies surpreendente -e que muitas vezes supera áreas-controle amostradas-.
Com relação à ocupação de habitats e resposta às atividades humanas, uma diferença relevante entre as espécies também foi registrada. Dentre as 36 espécies amostradas, muitas delas se mostraram consideravelmente sensíveis às áreas alteradas, como exemplo podem ser citados o tatu-canastra (Priodontes maximus), o gato-palheiro (Oncifelis colocolo), o caitetu (Tayassu tajacu) entre algumas outras. Mas ainda alguns grupos têm se adaptado bem às áreas impactadas e em comparação com dados bibliográficos pre-existentes para a região, é sugerido um aumento significativo nas populações, como é o caso do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus), do furão (Galictis cuja), do macaco sauá (Callicebus personatus).
Uma atenção especial deve ser direcionada à estrada intermunicipal que se extende de leste a oeste do Parque. A diferença na diversidade tanto de mamíferos quanto de outros grupos faunísticos, e mesmo de espécies vegetais é notória. Da estrada às áreas mais remotas do Parque, tem-se notado o aumento no número geral de espécies encontradas e mesmo a diferença na abundância de algumas delas.
Além da razoável quantidade de dados já coletados até a presente data, observações sobre biologia comportamental do lobo-guará (Chrysocyon brachyurus) e do tamanduá-bandeira (Myrmecophaga tridactyla) têm sido continuamente realizadas por serem espécies avistadas com certa frequência durante o estudo, gerando sub-projeto específico.
O projeto contou com o apoio institucional do Parque Nacional da Serra da Canastra - IBAMA, e financeiro da Walt Disney Foundation, Wildlife Conservation Society - WCS e WWF.