Status, distribuição e conservação dos carnívoros no Rio Grande do Sul
Responsável: Fernanda Michalski
Todos os direitos reservados; nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida ou transmitida sob qualquer forma ou meio sem a citação de ambos autores (Fernanda Michalski e Heinrich Hasenack).
Biodiversidade
A destruição de hábitats naturais é uma das maiores ameaças à biodiversidade e a principal causa da crise de extinção atual. Além disso, a fragmentação de ecossistemas em paisagens intensivamente cultivadas se torna ameaça ainda maior as espécies que ocupam estas áreas, principalmente no que se refere às comunidades de carnívoros pois, por serem espécies de topo de cadeia, são as primeiras a sofrer com alterações nos hábitats.
O Rio Grande do Sul é conhecido como um estado agropastoril por excelência, com uma fisionomia de grandes áreas de cultivos e campos de criação. Os remanescentes de vegetação natural são cada vez mais raros e estão em péssimo estado de conservação, excetuando-se as pequenas e poucas unidades de conservação.
Predadores Naturais
Apesar dos carnívoros desempenharem um importante e benéfico papel nos ecossistemas, sendo inclusive considerados como espécies chave, aspectos básicos como distribuição de muitas espécies ainda permanecem desconhecidos. Trabalhos que elucidem aspectos da distribuição dos carnívoros e sua relação com áreas de vegetação nativa fragmentadas são extremamente importantes para auxiliar na implementação de estratégias conservacionistas de espécies pouco conhecidas ou em risco de extinção no estado do Rio Grande do Sul.
Sistemas de Informação Geográfica
Atualmente, os sistemas de informação geográfica (GIS) são uma ferramenta apropriada e, algumas vezes, necessária para estudos de biodiversidade manejo e análise de dados espaciais. A possibilidade de sobreposição simultânea de diferentes dados como padrões de distribuição espacial e mapas de remanescentes de vegetação nativa podem fornecer importantes informações para conservação de espécies de carnívoros e de seus hábitats, bem como definir áreas prioritárias para conservação no estado. Outra possibilidade da análise espacial em GIS é a identificação de áreas de manutenção e de criação de corredores naturais que poderiam reduzir os efeitos adversos do isolamento de hábitats.
OBJETIVO DO PROJETO
Conhecer as áreas de ocorrência das espécies de carnívoros no Rio Grande do Sul, contribuindo com informações sobre suas relações com os fragmentos de remanescentes de vegetação nativa e avaliando áreas prioritárias para conservação no estado.
METODOLOGIA
Distribuição dos carnívoros A distribuição das espécies de carnívoros no estado do Rio Grande do Sul está sendo obtida através da reunião de dados de registros em museus, coleções científicas, zoológicos estaduais e bibliografia. Numa primeira fase, foram escolhidos para visitação sete reservas, parques nacionais, estaduais, florestas nacionais e áreas particulares, de acordo com a ausência de registros obtidos em publicações, museus ou coleções científicas. Estas áreas contemplaram principalmente o norte do estado, onde sabia-se da presença de onça-pintada e leão-baio, espécies ameaçadas de extinção que necessitam de grandes áreas para sobreviver. Da mesma forma, registros de espécies pouco conhecidas no estado e ameaçados de extinção como o lobo-guará, bem como informações sobre as espécies que ocorrem na porção sul do estado estão sendo confirmados.
Numa segunda fase (segundo ano), serão realizadas mais saídas de campo, concentradas na áreas julgadas como prioritárias na fase inicial. Nesse segundo momento, serão preenchidas as lacunas de informação que irão surgir na primeira fase. Da mesma forma, haverá coleta de material de animais encontrados atropelados para formação de um banco genômico das espécies de carnívoros que ocorrem no Rio Grande do Sul.
Trabalho de campo
Em campo, permanecemos em cada local por 6 dias e realizamos entrevistas com moradores locais, registramos vestígios indiretos (pegadas, arranhões e fezes) e registramos vestígios diretos (atropelamentos, visualizações e fotos obtidas com o auxílio de armadilhas fotográficas com sensor infra-vermelho). As entrevistas foram realizadas com questionários previamente elaborados e com a utilização de material fotográfico para identificação mais segura das espécies mencionadas.
Tratamento dos dados
Os dados de registro obtidos através de informações de museus ou de campo foram digitalizados e editados com o auxílio de programas específicos. Depois de editados, os arquivos foram utilizados no programa IDRISI 32, próprio para geoprocessamento. Para identificar os remanescentes de vegetação, foram classificadas imagens de satélite disponíveis no Centro de Ecologia da UFRGS, correspondentes às áreas de interesse. Para visualização simultânea, os dados do mapeamento dos carnívoros foram sobrepostos ao mapa de remanescentes de vegetação oriundos do processamento de imagens.
Conservação
Para determinação das áreas prioritárias para conservação estão sendo estabelecidos
critérios como escalas de grau de ameaça de extinção por espécie. Esta classificação
está sendo proposta com base no grau de ameaça regional, com base na lista das
espécies ameaçadas de extinção do estado. Dados referentes ao tamanho do fragmento
e risco de degradação por efeito antrópico do entorno também estão sendo classificados
numa escala numérica e correlacionados com as espécies de carnívoros. Além disso,
será sugerida a criação e manutenção de corredores naturais que conectem as
áreas fragmentadas através da visualização espacial das distribuições, com especial
referência a espécies de maior porte, que necessitam de áreas de vida reconhecidamente
grandes para sobrevivência.
Extensão e divulgação
Estão sendo alvos dessa atividade, crianças, trabalhadores, proprietários rurais, secretarias de meio ambiente dos municípios, estudantes de graduação e pesquisadores regionais. As atividades de entrevistas, na casa dos proprietários rurais é um momento de aproximação muito importante, onde a troca de conhecimento mútuo é apreciada. Nesses momentos, a equipe de trabalho também colhe os principais questionamentos e carências da população, apreciando problemas de predação por predadores naturais e solucionado as principais dúvidas do trabalhador rural. Além disso, são treinados em técnicas de campo e análise de dados, em cada saída de campo, pelo menos 3 estudantes de áreas afins, como biologia, ecologia e veterinária.
RESULTADOS OBTIDOS ATÉ O MOMENTO
O projeto teve início em maio de 2001 e até o momento foram gerados mapas de distribuição para as espécies de Canidae, Felidae, Mustelidae e Procyonidae do Rio Grande do Sul. As análises com relação aos fragmentos de vegetação nativa estão em andamento.
PARCEIROS
Centro Nacional para Pesquisa e Conservação de Predadores Naturais (CENAP/IBAMA)
Universidade Federal do Rio Grande do Sul – Centro de Ecologia
Conservation, Food & Health Foundation, Inc.
Idea Wild
REALIZAÇÃO
Associação Pró-Carnívoros