Monitoramento e quantificação do impacto de rodovias sobre a fauna da Estação Ecológica de Águas Emendadas - DF
Responsáveis: Flávio Rodrigues, Adriani Hass (UNB) & Frederico França
Participantes: Leonardo Rezende, Cristiane Pereira, Cíntia Figueiredo & Bruno Leite
Parceiros deste projeto:
Atropelamentos em rodovias são uma importante causa de mortalidade para várias espécies de animais silvestres em todo o mundo. No Brasil, ainda poucos estudos foram desenvolvidos, mas sabe-se que o impacto sobre algumas espécies é muito grande. O prejuízo causado à fauna é ainda mais preocupante, quando os atropelamentos ocorrem ao redor de Unidades de Conservação (UC), áreas destinadas à conservação da natureza, como Parques Nacionais, Estações Ecológicas e Reservas Biológicas. Grande parte das UC é cortada ou limitada por estradas e em muitas delas o problema dos atropelamentos é grave e tem preocupado os administradores destas UC.
Os carnívoros são, dentre os mamíferos, os que mais sofrem com atropelamentos. É provável que a susceptibilidade de carnívoros a atropelamentos se justifique por serem espécies com grande capacidade de deslocamento e terem comportamento de comer carniças de outros animais atropelados, ficando vulneráveis a também perecerem da mesma forma.
Na Estação Ecológica de Águas Emendadas (ESECAE), DF, um número significativo de animais morre anualmente nas estradas. Estudos preliminares revelam que em média 4,5 lobos-guarás morrem anualmente nas estradas limites da Estação, um número alto considerando um tamanho populacional de 10 indivíduos adultos. Para melhor avaliação dos impactos de rodovias em Unidades de Conservação e embasamento de propostas de mitigação de impactos é imprescindível que seja feito monitoramento periódico destas estradas, quantificando o número de animais mortos, espécies mais afetadas e pontos de maior incidência de atropelamentos.
Este projeto tem por objetivo adquirir informações, planejar e executar ações que possibilitem diminuir o número de atropelamentos de animais silvestres na área de influência da Estação Ecológica de Águas Emendadas. Para isto, pretendemos atingir os seguintes objetivos:
determinar quais espécies de animais são mais atropeladas nas estradas limítrofes da ESECAE;
estimar o número de animais atropelados anualmente nestas estradas; identificar os pontos críticos para atropelamentos (locais onde há maior número de atropelamentos de animais);
propor estratégias de manejo e ações que possam minimizar as perdas decorrentes de atropelamentos nas estradas limítrofes da ESECAE;
atuar junto às autoridades competentes para a efetivação de medidas mitigadoras de impacto;
avaliar a efetividade das medidas mitigadoras que venham a ser implantadas.
RESULTADOS PRELIMINARES
Após um ano de estudo, a estimativa é que morram anualmente nas estradas da ESECAE no mínimo 2.464 vertebrados, principalmente na época chuvosa. Foi feito um mapeamento das estradas, com base na ocorrência de atropelamentos. Com o mapeamento, foram identificados cinco pontos críticos, onde a maioria dos atropelamentos ocorre, e definidos locais apropriados para colocação de placas.
AÇÕES MITIGADORAS
Em associação com o Ministério Público Federal, o Ministério Público do DF e a Secretaria de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do DF (SEMARH), estamos buscando, junto ao DER e DNIT a efetivação de medidas mitigadoras aos impactos das estradas sobre a fauna da ESECAE. Como ação mitigadora dos impactos das rodovias sugerimos:
orientação dos usuários através de placas, colocadas nos pontos previamente identificados pelo estudo;
redução do limite de velocidade de 80 para 60 km/h
instalação de redutores de velocidade (quebra-molas) nos cinco pontos críticos identificados e
poda da vegetação às margens da estrada.
A redução do limite (e devido controle) da velocidade deverá diminuir muito o número de atropelamentos. A poda da vegetação da beira permite que o motorista enxergue o animal antes dele atravessar e que o animal enxergue o carro também com antecedência.
Após a efetivação das medidas mitigatórias será feito mais um ano de acompanhamento, para avaliar se as soluções adotadas surtiram efeito, diminuindo o número de atropelamentos.
O projeto tem apoio do Centro Nacional de Pesquisa para Conservação dos Predadores Naturais - CENAP/IBAMA e da Universidade de Brasília - UnB.