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12/02/12

Ameaça ao Pantanal vai muito além do desmate



Ameaça ao Pantanal vai muito além do desmate

Estudo mostra que danos causados no Cerrado, nas nascentes dos rios localizados no alto da bacia do Rio Paraguai, levam perigo ao bioma

12 de fevereiro de 2012 | 3h 05

GIOVANA GIRARDI - O Estado de S.Paulo

Pensar os riscos ambientais do Pantanal somente do ponto de vista da taxa de desmatamento do bioma pode estar deixando de levar em conta uma ameaça ainda maior.

O alerta foi feito pela ONG WWF após o Ministério do Meio Ambiente ter divulgado, na quinta-feira, que houve queda na perda de vegetação nativa no Pantanal entre 2008 e 2009, na comparação com o período de 2002 a 2008. O bioma se mantém como o mais preservado do País, com 84,69% de sua área.

A bacia pantaneira, considerada a maior área úmida continental do planeta, está inserida dentro da Bacia do Alto Paraguai. É na parte alta da bacia, localizada ecológica e geograficamente no Cerrado, onde estão todas as nascentes dos rios que vão abastecer a planície que está embaixo. E no planalto, a ameaça do agronegócio é bem mais feroz.

"A área é muito frágil, está sujeita a tudo o que acontece rio acima. Um intenso assoreamento, por exemplo, vai levar os sedimentos para a planície. Ao menos para o caso do Pantanal, avaliar o desmatamento só do bioma não é suficiente", afirma Michael Becker, coordenador do Programa Cerrado Pantanal da WWF. "Tem de ver o que está acontecendo na bacia como um todo", complementa.

Ele se baseia em um estudo divulgado no início do mês. A Análise de Risco Ecológico da Bacia do Rio Paraguai, feita em parceria pela WWF, The Nature Conservancy e Centro de Pesquisas Pantanal, que mapeou as principais ameaças ao bioma. O trabalho apontou que metade da bacia pantaneira está sob alto e médio risco de comprometimento dos recursos hídricos.

Sendo seus maiores estressores as hidrelétricas (barragens alteram o regime hídrico natural); a urbanização (obras de infraestrutura, como rodovias, barragens, portos e hidrovias); e o avanço da agropecuária (desmatamento e manejo inadequado de terras causam erosões e sedimentação de rios).

De acordo com Becker, 128 usinas hidrelétricas (incluindo Pequenas Centrais Hidrelétricas) podem no futuro próximo entrar em atividade na região - metade ainda está em fase de planejamento. "Isso pode acabar atuando como um 'torniquete nas veias' do Pantanal", diz.

Proteção. A pesquisa sugere que 14% da bacia (justamente os pontos identificados com alto risco) precisa "com urgência" ser protegida como unidade de conservação. Hoje, somente 11% dessa região conta com algum tipo de proteção, sendo apenas 5% com proteção integral. Apesar de ser o bioma mais ameaçado, o Cerrado é um dos menos protegidos, com apenas 2% de sua área sob proteção integral.

"Fora isso, é importante incentivar boas práticas agrícolas que impactem menos. Não achamos que os agricultores tenham de sair de lá, mas reformular a maneira como eles manejam a área", afirma.

No caso de hidrelétricas em operação, os autores do trabalho sugerem que uma forma de mitigar os impactos é implementar esquemas de operação que mantenham os ciclos de cheias e vazantes de modo semelhante ao natural.

Para barragens em planejamento, Becker afirma que na hora de avaliar o risco ambiental desses empreendimentos é preciso pensar que o impacto é cumulativo. "Não dá para pensar em cada um individualmente, mas em todos os empreendimentos juntos."


Autor:Ricardo Boulhosa

Fonte:http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,ameaca-ao-pantanal-vai-muito-alem-do-desmate-,834702,0.htm

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